Sempre pensei na TV cabo como uma das grandes oportunidades perdidas em Portugal.
A TV cabo tinha uma extensa cobertura de banda larga nas grandes cidades numa altura em que a cobertura de ADSL era insipiente.
Ainda por cima, a infra-estrutura foi montada para vender canais de TV, pelo que o custo extra de vender Internet deveria ser muito baixo.
Ou seja, a TV cabo estava em posição de oferecer Internet de banda larga a um custo mínimo aos seus assinantes de TV. Mas nunca o fez, para evitar competir com a rede fixa da Portugal Telecom.
Agora que a TV cabo deveria ser gerida de forma independente da PT, decidi ler o folheto que o promotor comercial Israel Rosa atenciosamente depositou na minha caixa de correio.

A capa parece interessante: a velocidade mínima passou de 256 Kbps para 2 Mbps, para um preço desde €20/mês (desprezando o cêntimo).
Continuando a leitura, só se pode ter Internet tendo também televisão. O preço mínimo afinal é de €35/mês, quase o dobro.
Mas uma leitura mais cuidadosa, incluindo as “letras pequeninas”, muda significativamente a oferta. Afinal, os 2 Mbps são uma promoção de 6 meses. E os €35 têm um desconto de €8 no primeiro ano.
Resumindo:
- Nos primeiros 6 meses, paga-se €35 por 2 Mbps
- Nos segundos 6 meses, paga-se €35 por 512 Kbps
- No segundo ano, paga-se €43 por 512 Kbps
O problema é que a palavra promoção, que qualquer loja da esquina exibe de forma proeminente, só aparece nas letras pequeninas. E o contrato obriga a 12 meses de permanência, garantindo 6 meses de irritação aos futuros clientes.
Ou seja, a nova TV cabo ainda mantém todos os maus hábitos da velha TV cabo, preferindo enganar os seus futuros clientes a fazer-lhes uma proposta honesta.
Não gostava de me chamar Israel Rosa daqui a seis meses. Ou talvez a TV cabo prefira contratar os seus promotores comerciais por períodos de 6 meses...